Autor: Oswaldo Luiz Gomes Jacob, Pr.
O grande professor de Yale, Jaroslav Pelikan, definiu sabiamente a diferença entre tradição e tradicionalismo. Este é a fé morta dos que vivem e aquela é a fé viva dos que morreram. Estamos mais para o tradicionalismo em nossas igrejas do que para tradição. No tradicionalismo, o homem, as instituições, são o centro, a razão das coisas. Há uma busca desenfreada pela aparência, pela visibilidade. É impressionante como os tradicionalistas fazem questão das coisas pequenas, que nada acrescentam. São como os religiosos da época de Jesus que só viam o cisco no olho do próximo e não enxergavam a trave no seu olho. Eles eram sepulcros caiados – bonitos por fora e podres por dentro. O tradicionalismo é uma doença caracterizada pela megalomania, pela vontade intensa de aparecer, de publicar seus feitos em toda a parte. São religiosos de final de semana. Valorizam mais a organização do que o organismo. Não fazem questão de comunhão com os irmãos. Estão vivos, mas a fé está morta. Vivem no mundo platônico, no mundo das ideias. Um dos seus verbos preferidos é "TER" – ter nome, cultura, influência, relacionamentos interesseiros, primazia no meio da igreja e da sociedade e opinião que prevalece. O tradicionalismo está centrado no ego. Ele valoriza muito a aparência e o passado. Aliás, vive de passado. Não há sensibilidade, empatia e muito menos simpatia. É insuportável viver com um tradicionalista. Paulo enfrentou o tradicionalismo nas várias cidades por onde passou. Era composto de judeus que “obedeciam à fé”. Paulo os chamou de inimigos da cruz de Cristo, cujo deus é o ventre e só se preocupam com as coisas terrenas. O tradicionalismo é implacável com os que erram. Pune implacavelmente à luz do legalismo que lhe é peculiar. Tem dificuldade, à semelhança do irmão mais velho da parábola do pródigo, de perdoar, de aceitar e comungar. É impressionante a dureza de coração dos tradicionalistas. Eles querem que a sua opinião sempre prevaleça. Tem dificuldade de aceitar o maltrapilho, o pária da sociedade. Os pressupostos meramente humanos da sua agremiação são mais relevantes do que o evangelho de Cristo. Lidar com pessoas tradicionalistas é entrar num campo minado pela incredulidade, arrogância e falsidade ou hipocrisia. Ser um tradicionalista é valorizar mais os pensamentos do homem do que os pensamentos de Deus.