Gênios na humanidade são reconhecidos a partir de sua morte, pelo menos são reconhecidos. Pior, são os verdadeiros profetas de Deus que além de serem ignorados e odiados como tais, quando possível, são exterminados.
A decadência política em nosso país não é novidade pra ninguém e está associada a descrédito, falcatrua, desonestidade, hipocrisia e coisas assim indecorosas. Computamos isso a justiça falha, ao pragmatismo em seu sentido mais perverso e deturpado. Impunidade alimenta males. Esse quadro deflagra um desânimo com o rumo social e político, induzindo a pensar que estamos no pior dos mundos. Acontece que quando entramos nos meandros da “política” religiosa, constatamos que toda aquela maléfica postura está também incrustada nas entidades denominacionais com tudo de negativo elevado a potencia de milhares. É claro que alguns dirão que não é bem assim. Pergunto então, se não é bem assim, seria pior? Porque melhor definitivamente não é. Explico, na política prevalece o egoísmo, o interesse próprio, perspectiva de impunidade e todo um lidar com coisas temporais, passageiras, logo, a concepção da inexistência de um julgamento de fato pra valer. A igreja trata com coisas atemporais, eternas e tendo o Senhor Deus como justo juiz. Parece que essa percepção desbotou, confundiu e misturou tudo ao nível cenográfico. Talvez isso explique por que igrejas transformam-se em verdadeiras “ONGS”, preferem causas terrenas em detrimento das eternas. Quem sabe, seria isso fruto da cauterização da própria consciência iludindo-se de que tratamos com alguém que se deixa iludir? Essa maré de política suja impede reconhecer a igreja como agencia do céu, travestindo-a de um programa do aqui e agora. Até nisso seguimos a rota dos “políticos”, surfando em fajutas “ações sociais”.
Concordo que é uma radiografia detestável. Talvez o compromisso com os ainda inocentes e a necessidade de continuar de alguma forma com o Evangelho aos perdidos nos impeça discutir abertamente descaminhos nas lideranças. Mas atentar para o submundo religioso é ver uma hipocrisia, que se não for igual, é pior que a dos fariseus. Admito razões diversas para silenciar, mas o fato é que a descaracterização religiosa supera negativamente a pior das políticas. É dolorido abrir ferida, não gostamos de coisas amargas nem de bebidas ácidas, curiosamente essas são as mais medicativas e necessárias. Aliás, gostando ou não, o condicionamento alimentar em nosso estômago se dá com ácido forte. De Elias a Jesus, por conta da necessária acidez os profetas foram odiados. Prova de que o mundo no aspecto verdade não evolui. Infelizmente a religiosidade rema nesse barco.
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O mundo jaz no maligno” (1Jo 5.19). Não tenho dúvidas de que o maligno tem entrado onde não deveria.