Autor: Dc. Henri (SIB em Magé)
Observo que o casal cujo ninho foi invadido passou a criar um filhote que não era seu, mas mesmo assim, sem saber, tornam-se pais muito felizes porque percebem de forma mais rápida o seu filhote nascer. Enquanto nos outros ninhos existe apenas a expectativa dos ovos sendo chocados, no ninho onde os ovos foram trocados pelo ovo do Cuco, já há um filhote “alegrando” os pais que naturalmente se sentem mais “abençoados” do que os demais, afinal já podem contemplar a “bênção” em suas vidas...enquanto nos demais ninhos há apenas ovos... E essa bênção não é somente inicial, mas permanece aumentando nos próximos dias, porque enquanto os ovos naturais eclodem nos ninhos, proporcionando uma “pequena” alegria neles por causa dos pequeninos filhotes, no outro ninho já se pode perceber um grande filhote que cresce a cada dia... E cresce tanto que após os primeiros dias já está maior do que os pais, obrigando-os a correrem, ou melhor, voarem de um lado para o outro a procura de alimentos, pois o filhote faminto lhes exige completa dedicação. Enquanto os demais filhotes se apresentam mirradinhos, o filhote “especial” já quase não cabe mais no ninho, deixando os pais cada dia mais convencidos que foram "abençoados" e por isso, acabam convencendo toda a comunidade de pássaros que aquele ninho é especial, produzindo inclusive o desejo nos outros de ter também um ninho semelhante!
Sem querer, por causa dos que contemplam no ninho superior, alguns acabam se deixando levar pela falsa impressão de que poderiam fazer alguma coisa para conseguir a mesma bênção conseguida pelos que experimentam tamanha "alegria". Observando o crescimento do outro filhote e comparando com o seu, alguns chegam ao ponto de desejarem serem pais do outro, renegando o que tem e considerando-o bênção inferior... Ou até mesmo consequência de uma “maldição hereditária”! E tudo vai muito bem na vida dos pais “especiais”, ricamente “abençoados” pelo filhote que agora já consegue alçar voo enquanto os demais filhotes parecem tão fraquinhos, sem ao menos conseguirem bater as asas que ainda estão criando penugens... Mas de um modo inesperado, saindo o filhote “abençoado” do ninho para o voo, de repente, eis que uma grande surpresa sucede o voo, pois o filhote já se tornou adulto e não mais voltará, deixando os pais sem a descendência, porque era um filhote de Cuco... Enquanto isso, nos outros ninhos os filhotes estão crescendo naturalmente. E mais tarde darão descendência aos seus pais.
(continua na próxima Pastoral)