“Nos últimos dias, essa questão me intrigou e fiquei a especular sobre a expectativa de Deus. Concluí que Ele não deseja ninguém humilhado, conquanto procure humildes.
Exemplo está na conversa de Jesus com a mulher samaritana (Jo 4). Os judeus sentiam-se superiores para humilhar qualquer samaritano. Imagino que aquela mulher esperasse tal tipo de tratamento de Jesus, o que não acontece, pelo contrário, desenrola-se um diálogo e por fim é dito que Deus procura adoradores verdadeiros. Percebo que adorador não é alguém humilhado, mas essencialmente humilde. Ele é, não apenas está ou aparenta.
Outro fato que corrobora a ideia é o encontro de Jesus com o jovem rico (Mc 10.17). Esse, ajoelhado chama-o de bom mestre, mostra-se humilhado e aparentemente disposto a tudo, pela pergunta que fez. O resumo da ópera é triste, cabisbaixo afasta-se de Jesus porque sua humilhação não conseguiu driblar o orgulho camuflado, o altruísmo propalado tropeçou na ponta de seu egoísmo estacionado nas escondidas curvas do coração.
Por fim, humilhado me lembra do fariseu com um rosto desfigurado pelo jejum ritualista e braços levantados na esquina (que contraste!), ou mesmo os vergões dum adorador pagão na humilhação do autoflagelamento (profetas de Baal).
Percebo que humilhação associa-se com um tipo de humildade controlada. É qual um mergulho onde a preocupação maior está com o ar pra retornar. Humilde é aquele que já trocou seus pulmões por guelras e mergulha na dependência de Deus sem receios, reservas ou controles, porque não voltará jamais.”
“Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para vossas almas” (Mt 11.29b).